domingo, 11 de agosto de 2019

                         Mais de um bilhão de bundas para lavar 

        Coitados dos rios que agraciam a humanidade como presentes entregues aos desmerecidos seres racionais que com o pé na tábua  os utilizam em sua plenitude, como se os seus benefícios durassem até as vinte e quadro horas de um dia que,  somente no imaginário, nunca terá fim. Na jornada pela busca de uma sociedade perfeita o tempo nos força a entrar na fila do tal progresso, na ocasião todo mundo finge não saber o que irá acontecer, visto que é confortável viver o dia de "hoje", uma vez que o amanhã não nos pertence; desde modo o amanhã é descartado, pois devamos viver o hoje (assim recomenda a estupidez do dito popular). Essa poderosa graça, cuja função  é viabilizar  a contextualizada sobrevida de algumas populações ao redor da esfera terrestre, tem sofrido impiedosas agressões, e de todos os tipos. Há quem os utiliza para matar a cede, assim como há quem prefira usá-los para o descarte daquilo que não tem mais serventia. O mais curioso é que alguns preferem mesclar funcionalidades e usos assaz exóticos (para não dizer estranhos) das águas que propiciam a existência de vida nas regiões agraciadas, privilegiadas e.... E também ingratas.

          Coitado do ser humano, que, de tão cego, ainda consegue fazer seus planos a prazos dilatados sem acordar para a realidade de um futuro mais improvável que os números da mega em trinta e um de dezembro. Chumbo trocado não dói, já dizia o dito popular; mas pera aí! Onde podemos enxergar a característica relação que sempre existe nos confrontos entre "ganhador" (ganhador, vencedor é um termo que não se aplica ao caso) e perdedor? E, nesse ringue, quem levará para casa o cinturão?

         Espera um pouco! vamos fazer nossas apostas? Quero saber quem será o "ganhador" dessa batalha.... 
           Os rios, e todas as outras fontes de água doce, tiveram  seus usos desviados desde que um certo inquilino chegou por aqui; é difícil delinear a data em que o homem passou a enxergar os cursos d'água como locais de descarte para aquilo que não mais lhes servia, dá até para imaginar que entre um banho e outro, um gole e outro alguém tivera a inconveniente ideia de entregar às águas seus problemas. Os rios são mágicos, eles têm a capacidade de fazer desaparecer qualquer coisa (não duvide!) que se possa jogar em suas águas, alguns delegam a esse tal mágico a façanha de desaparecer uma mobília inteira; e o que dizer daqueles rios que são engolidores de carros? Batalha sangrenta, hein! Há uma dualidade, um bate e o outro apanha. Pelo menos uns três a zero para o ser humano! 
                 No mundo inteiro muitas regiões especializaram-se em inimagináveis formas de agressões, cada uma ao seu modo. Há quem prefira transformar rios em esgotos, outros optam assorear ou mudar cursos.... Nesse time ainda jogam aqueles que fazem um pouco de tudo e da mesma água bebem e guardam no interior de suas casas como amuletos que supostamente trazem bênçãos. 
                     Na Índia há uma mãe cujos filhos são terrivelmente ingratos,desobedientes e agressivos. Pobre mãe! Mais de um bilhão de filhos querem beber, cultivar, curar e lavar a bunda (Misericórdia!). Mas isso não é tudo.... Essa mãe, por vezes,  também cumpre o horrendo papel de um típico jazigo,o que parece mais cômodo para algumas famílias daquele país ....
                      A mãe-ganga, conhecida aqui como rio ganges, é uma senhora mãe que corre por mais de dois mil e quinhentos quilômetros no território indiano. O azar foi nascer tão distante do mar e percorrer a Índia de Oeste a Leste.... uma maratona angustiante de arrepiar até os ossos. Nesse percurso o rio ganges tem a obrigação de cuidar e matar a cede dos seus filhos, abraça em suas margens mais de vinte milhões, e influencia a sobrevivência de outras quatrocentas milhões de pessoas. A contra partida é um soco no estômago, que faz embrulhar o estômago. 
                      Na Índia o rio ganges é considerado a própria personificação de uma entidade chamada de "mãe-ganga"; e dizem que todo hindu tem o dever de tomar banho em um ritual de purificação nas águas desse rio pelo menos uma vez na vida. Um problema e tanto, viu! Dizem que a população da Índia soma mais de 1,3 bilhão de pessoas (eu acho essa contagem otimista, siceramente). É muita gente querendo lavar as virilhas naquelas águas! Dados ofieicais do governo apontam que as águas do ganges apresentam níveis de coliformes fecais mil vezes acima do que se considera tolerável pelas Nações Unidas (vai um gole dessa água aí?). 
                             Vamos ser sinceros? Nessa briga só um bate, e bate forte; já sabemos quem será vencido e quem será ganhador. Homem bate, é adversário cruel e não perde chances. Nessa batalha cada dia mais o meio ambiente é vencido, não há vencedor. O triunfo não será contado ao final da narrativa; na realidade vai se sagrar como ganhador, ganhador dos infortúnios advindos da irresponsabilidade que reside no egoísmo, os inteligentes que aqui habitam. 
                                Não falaremos mais de ringue, por que essa covardia causa resolva. Apenas quero lembrar que, nessa história nebulosa, o tal ganhador assemelha-se a um bêbado que resolve dar um passeio na beira do penhasco. A pequena diferença é que esse tal bêbado tem muita consciência, jamais poderia ser considerado inimputável pelo seu delito. Se irresponsabilidade fosse crime o ser humano pegaria pena de morte, não duvido. Suas atrocidades para com o meio ambiente, quer seja no âmbito individual, quer seja coletivamente sempre são obstinadas por ultrapassar seu limites. 
                               Paixões, vaidades e lucros são sempre imperativos, estão acima da racionalidade e do bom senso. O ganges sofre por outra razão, talvez a mais cruel de todas; tudo o que se faça em nome das religiões transcende a verdade para quem as praticam. A sociedade indiana, assim como a paulistana na capital paulista assemelham-se nesse aspecto. Salvar um rio é tarefa que cansa só de imaginar, apesar disso a opção mais fácil, parar de agredir, ainda parece ser mais do que incomoda até para os organismos estatais. Quem procura trabalho é trabalhador, sempre ouvi os mais velhos dizerem; do mesmo modo quem procura sarna, que aguente.  
                               O futuro se aproxima a passos largos, e talvez a geração dos nossos filhos presencie a luta de populações inteiras pela sobrevivência. Nessa época o ganges será bem estimado pelas águas que outrora corriam em seu leito maltratado, ocasião em que uma gota de seu líquido precioso valerá mais do que um balde cheio que possa lavar uma bunda.    
         

😐

sábado, 27 de julho de 2019


   Meu mais novo desafio: criar e manter um blog



        Este é o meu primeiro post por aqui. Espero que a minha humilde narrativa seja capaz de ajudar outras pessoas a retirarem do fundo do baú o talento que elas têm com as palavras; escrever  é um talento, preciosidade que não podemos guardar no esquecimento, tampouco ignorá-la. A  escrita nunca esteve tão em voga como nos dias atuais (mas não quero aqui questionar aspectos como qualidade ou a finalidade), tem ajudado a construir - ou desconstruir - uma sociedade que a cada dia se revela dependente de conteúdos consumidos no mundo virtual. A internet propiciou a democratização da escrita para aqueles que desejam ter os seu trabalho reconhecido, nesse meio a fama e o estrelato (obs.: tem gente famosa que celebridade ou coisa do tipo) estão ancorados aos mais dedicados ou mais ousados.   
      
        Os motivos que me levaram a criar um blog foram escassos, basicamente pretendo usar essa ferramenta para discutir assuntos relacionados ao dia a dia, pois não acho uma boa ideia ficar conversando sozinho a respeito dos assuntos que nos rodeiam todos os dias e que envolvem desde o voo do passarinho  até o comportamento do universo. Como escritor, por óbvio quero usar este canal de comunicação para falar dos meus livros, pois a coisa é meio enrolada na hora de divulgar (a turma não faz ideia de como é árduo para um escritor convencer alguém a ler seu livro); a coisa é linda até depois da publicação, quando essa etapa transcorre  a sensação (minha percepção) é de que tudo está recomeçando e muitas vezes parece mesmo que tudo o que foi feito antes é nada, e, então você precisa continuar algo do mesmo ponto de partida, - dá vontade de chorar (rsss). 

      Em se tratando de divulgação de livros, por enquanto o mote será: O Palhaço de Alaíde, vol 1. Este é o meu primeiro livro, e não vou perder tempo.... É uma história linda, garanto que posso agradar variados públicos no segmento romântico (a mulherada vai se apaixonar por Fernando Pedro). O papo é o seguinte, gente... Um cara natural de Santa Catarina, lindo que nem sei dizer o quanto, chamado Fernando Pedro tornou-se artista circense em uma grande companhia depois de enfrentar uma vida dura desde que saiu de casa aos 14 anos - agora ele tem 21 -, trabalhou de tudo um pouco, pois apesar da beleza incomum o rapaz é pobre ( natural, né? Acontece sempre) e encontrou um emprego no circo por intermédio de Stefânia, uma mulher de tirar o fôlego os dois se tornaram amantes às escondidas. Vou pular um pouco para não entregar demais.... O grandioso circo, após uma temporada em Teresina, por algum motivo ( Deus determinou ou o destino) em vez de ir para uma capital onde pudesse garantir receita com a venda dos bilhetes caríssimos o circo descambou para o interior do meu Piauí, foi parar em Amarante. De cara Fernando Pedro se afeiçoou à cidade, pois curtia uns passeios com Messejuno, o cachorro com quem executava um número no circo. 
      Num desses passeios, na ora da folga, Pedro conhece despretenciosamente Laurian, uma moça capaz de preencher os requisitos de uma princesa dos contos de amores apaixonantes e fictícios. Dentro de uma mercearia os dois se olharam e foi amor à primeira vista, mas a moça estava apressada demais e não deu tempo nem de perguntar seu nome; mas ambos se prenderam um ao outro. Pedro já tinha data para ir embora com o circo. Mas adivinha o que aconteceu? Na noite anterior à partida acontece uma treta entre o rapaz e Rangel, o dono do circo que nutria uma paixão descontrolada pelo seu funcionário. Mais uma vez vou dar um salto na história, pessoal (não é um spoiler, tá?).... Pedro ficou na cidade sem eira nem beira, mas antes de partir encontra em uma agência dos correios, a velhinha é avó de princesa por quem o rapaz se apaixonou. É capricho do destino mesmo... Não é que a velhinha ofereceu abrigo a um desconhecido que se apaixonou pela sua neta com apenas um olhar? Pedro não sabia que estava indo para a casa de Laurian, pense numa felicidade surpreendente.....

     Pretendo falar de literatura, educação, cultura, filosofia, ciência etc. por aqui. E prometo também difundi nossa brasilidade, nós precisamos muito disso, somos carentes dessa autovalorização. Escrever um blog e responsabilizar-me por ele produzindo conteúdos que precisam ser interessantes para todos nós revela-se uma tarefa assaz desafiadora para mim, mas quero contar com o companheirismo de todos vocês, Blz?
 Que Deus nos abençoe.